Psicoterapia Antroposófica

09/02/2011

 

A psicologia baseada na Antroposofia, por decorrência de seus pressupostos, visa promover o desenvolvimento de uma consciência ética individualizada, dentro do princípio da liberdade. Não trabalha, portanto, com hipnose, regressão ou técnicas que induzam a estados alterados de consciência. Da mesma forma o profissional, se bem formado, não deveria fazer proselitismo filosófico em seu trabalho mas, pelo contrário, exercitar o método fenomenológico que, dentro do possível, visa ‘suspender’ suas referências pessoais (ou tê-las conscientes), para atuar profissionalmente. Evitam-se asserções categóricas e treina-se o profissional na arte de fazer perguntas abertas.

Adota o axioma de Steiner (Berron,1984) que postula que o corpo deve ser objeto da higiene; à alma se aplica a educação; a individualidade deve ter o espaço da liberdade.

Embora haja diversas maneiras de exercer a psicoterapia e um consenso internacional esteja aos poucos se estabelecendo, podemos dizer que se trata de uma abordagem terapêutica cujo cerne é a relação terapeuta-paciente. Como vai se dar esse encontro, depende da idade e do diagnóstico do cliente. O diagnóstico antroposófico é uma “leitura” que inclui, dialoga e faz uma “tradução” do conhecimento moderno. No caso das psicopatologias, usamos o DSM IV R e o CID 10 como referência de linguagem.

Em caso de adulto, a terapia é eminentemente dialógica (Berron,1984; Treichler, 1987), podendo abarcar trabalhos não verbais, conforme a formação complementar do terapeuta. A “porta de entrada” é, portanto, o Eu enquanto centro da consciência e a organização anímica, sede dos afetos ou emoções. A atitude do terapeuta será mais diretiva e didática em casos de maior comprometimento psicopatológico e a atuação será conjunta com médico, massagista, etc. Um trabalho, portanto, focado nos aspectos constitucionais do paciente. Quando o caso é uma crise de desenvolvimento que resulta em transtornos de menor gravidade, o trabalho sobre a história de vida, de uma forma menos diretiva, pode ser a principal abordagem, caminhando das sensações/emoções, através da compreensão e construção de significados em direção ao sentido da doença ou crise.

Busca-se alinhar desejos e aspirações através dos motivos conscientes, visando maior liberdade de decisões; caminhar, se possível, do corpo ou alma da sensação, para a alma da consciência. Dependendo, portanto, do diagnóstico e conseqüentes objetivos terapêuticos o psicólogo antroposófico pode adotar posturas mais ou menos diretivas, similares, em certos casos, às de uma linha cognitivo-comportamental ou, em outros, à existencial humanista. As técnicas terapêuticas utilizadas são comuns ao acervo de muitas linhas psicológicas como imaginação ativa, dramatização, etc.(von der Heide, 1984; Dekkers, 2001; Lievegoed, 1999, Treichler,1988)

Em se tratando de crianças é fundamental a vivência dos ciclos da natureza. O brincar se torna o grande meio de comunicação, em diferentes níveis como corporal, estruturado, expressivo e imaginativo. O aconselhamento das pessoas envolvidas com a criança como família, escola, etc. são parte necessária do processo.

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